bloco das leitoras
um pouquinho de doce e um pouquinho de salada nesse carnaval
Se tem uma coisa que aprendi a amar depois de crescida foi o carnaval, adoro estar na rua embaixo do sol ou da chuva com roupas extravagantes enquanto corro atrás de um trio elétrico e faço novas amizades momentâneas de infância. Porque o carnaval é assim, todo mundo lembra da essência do povo brasileiro que é ser essa gente meio doida, mas tão acolhedora e carismática.
Mas isso foi o pré-carnaval. O feriado de carnaval mesmo eu reservei para assistir alguns filmes, ler meus livros e descansar (mas fiquei no Insta com um pouquinho de inveja de quem tem saúde para quatro dias de folia e ingestão de bebidas de origem duvidosa hehe).
OS LIVROS
A Obrigação de Ser Genial, de Betina Gonzalez
Continuando a saga de ler este livro sem aumentar ridiculamente a minha lista de desejos (são muitos autores citados). A autora traz algumas opiniões sobre o ato da escrita, criatividade, etc. Nem sempre concordo com tudo o que ela diz, mas tem sido interessante os pensamentos que vou desenvolvendo a partir do livro. E tem um capítulo logo no começo sobre… começos. Com um texto maravilhoso sobre Cem Anos de Solidão!
A Disciplina do Amor, Lygia Fagundes Telles
Neste livro de textos curtos que não são considerados contos, Lygia mistura acontecimentos de sua vida à escrita de ficção, de forma que nunca sabemos o que é memória e o que é invenção. O livro já começa com uma sequência de textos sobre gatos, na escrita única, profunda e arrebatadora de dona Lygia. Tem como ser melhor?
Distância de Resgate, de Samantha Schweblin
Anos atrás quando li Kentukis, fiquei obcecada pela autora, mas no meio de tanta coisa pra ler fiquei adiando a leitura deste outro livro. Em uma narrativa feita de diálogos, Samantha nos conta uma história misteriosa sobre mães tentando proteger seus filhos em um mundo extremamente precário. Li em duas horas. Amei.
Solenoide, Mircea Cartarescu
O livro que virou surto coletivo na minha bolha do Instagram e entre as amigas, li apenas o primeiro capítulo como reconhecimento de território e já dá para sentir que tem muito de seu outro livro, Nostalgia. Não vejo a hora de mergulhar de vez nessa viagem louca!
Antes de causar comparações desnecessárias ou de parecer que eu faço leitura dinâmica, o único livro que li inteiro no carnaval foi o da Samantha Schweblin. Os demais seguem sendo lidos devagar e sempre e com furadores de fila entrando na frente.OS FILMES

O Pianista, Roman Polanski
No aquecimento para ver Adrien Brody em O Brutalista, eu e Bruno assistimos O Pianista, o filme que lhe rendeu o primeiro Oscar em 2003, aos 29 anos. Baseado no livro de memórias do pianista polonês Władysław Szpilman, acompanharemos sua aterrozante história durante a segunda guerra mundial, passando pelo gueto de Varsóvia, aos esconderijos e à fome extrema, até a dissociação completa de seu ser, restando apenas as mãos nervosas que nunca deixaram de tocar seu piano imaginário.
Cada detalhe impecavelmente bem pensado para passar uma mensagem. Extremamente triste e revoltante, mas é sempre necessário lembrar das atrocidades já cometidas nesse nosso mundo.
O Robô Selvagem, Chris Sanders
Um robô criado para realizar tarefas em geral naufraga em uma ilha habitada apenas por animais, em busca de sua primeira tarefa, acaba entrando em algumas confusões e acaba ficando responsável por um ganso órfão. Está aí a sua tarefa. Aprender como ser mãe. É aí que a história fica um tanto clichê: o robô que vai quebrar os protocolos, e em paralelo, uma história sobre maternidade que parece universal. Se aplica a animais, robôs e seres humanos.
Também descobrimos que o mundo já entrou em colapso e o que resta é uma pequena cidade tecnológica e futurística que cultiva vegetais em um ambiente controlado. O filme chega a fazer a gente achar que isso é algo bom. Sei não.
Mas se nos atermos à dinâmica de Roz, a robô, com os animais da ilha, dá para se divertir bastante e assistir a uma linda história sobre amizade.
Suspiria, Luca Guadagnino
Sempre bom rever filmes e reler livros! Na revisão de Suspiria, depois de alguns anos e tendo agora mais bagagem para interpretar algumas coisas, me parece um filme completamente diferente. Ter assistido outros filmes do Guadagnino também me levaram a entender outros pontos que costumam ser sempre abordados em suas obras: os corpos, desejo, amor, paixão, obsessão. Não necessariamente entre pessoas.
Em Suspiria, uma jovem de Ohio chega em uma Berlim dividida por um muro, na escola de dança que abriga inúmeros mistérios. A dança, que exige total dedicação, também promete liberdade: a escola disponibiliza dormitórios gratuitos, e as alunas podem usar como bem entenderem o dinheiro que receberem das apresentações.
Aqui, os elementos das obras de Guadagnino se encontram em um culto ao corpo e à beleza, se transformando em uma história sangrenta e macabra (que certamente serviu como uma das inspirações para Coralie Fargeat e seu A Substância).
E este foi o meu carnaval! Espero que tenham curtido bastante por aí também, e se quiser compartilhar um pouco das suas leituras ou aventuras carnavalescas é só deixar um comentário aqui.
Obrigada pela companhia!





E a lista de filmes e livros só aumenta…
Que delícia de carnaval! 🎉
amo esse bloco 💕